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SHEAR
YAAKOV |
Comentário
da parashah SHEMINI (Vayikra 9.1 a 11.47)
(Por Shimon Ben Avraham)
Introdução
“Respondeu-lhes
Yeshua: não te disse eu que se creres verás a glória de
D-us?”
João 11:40
A
humanidade tem experimentado uma severa mudança de conceitos e de referenciais
nos últimos tempos. Em decorrência disto, muitas coisas reprováveis
no passado são admitidas como absolutamente normais e dentro dos padrões
de aceitação pela sociedade que se diz adaptada aos tempos atuais.
Exemplo disto é o conceito de tempos difíceis. Tempos atrás,
esta expressão trazia um entendimento de fome, falta de recursos de subsistência,
iminência de guerras, desemprego. Tudo isto ainda é verdade, mas
na ótica da Torah, tempos difíceis nos nossos dias estão
muito mais relacionados com a descrença, apostasia e desobediência
a D-us do que com os outros conceitos.
Com base neste entendimento, proponho uma subdivisão da parashah SHEMINI em 3 tópicos:
Capítulo 9 = capítulo da obediência
Capítulo 10 = capítulo da desobediência
Capítulo 11 = início do processo de santificação
Capítulo 9
Destacando os versos 1 a 8 e 22 a 24, tiramos preciosas lições, dentre elas, que:
1)NUNCA SE PERDE QUANDO SE OBEDECE.
A Torah nos traz uma série de exemplos de obediência, entretanto, a história do Noach nos traz não apenas exemplo, mas um tremendo incentivo à obediência a HASHEM.
A única
escolha de Noach era obedecer ou desobedecer. Não estava chovendo quando
ele construiu a arca; ele não morava junto ao mar; ele não era
um profissional do ramo. isto é, a garantia do sucesso na construção
da arca não era ser profissional, mas ter a bênção
de D-us pela obediência.
Muito importante é lembrar que a arca foi construída por amadores
e o Titanic, por profissionais.
Noach, a despeito de todas as circunstâncias adversas, optou por obedecer
e se você quiser ver o resultado, olhe-se no espelho e lembre-se que está
em pleno séc. XXI.
Evidenciando o versículo 7, aprendemos que:
2) PARA ABENÇOAR ALGUÉM, PRECISAMOS ESTAR COM A VIDA EM ORDEM.
Quando não
estamos com a vida em ordem, um simples pedido de oração torna-se
uma situação constrangedora. Lutamos interiormente,
pois, de um lado sabemos que o céu se torna de bronze, enquanto do outro
lado o irmão espera ser abençoado por alguém que ele supõe
estar com a vida em ordem diante de D-us.
O que o irmão vai pensar de mim se eu disser a ele que não estou
em condições de abençoa-lo?
A tradução deste sentimento é: “Minha máscara vai cair.”
Mas, mesmo estando com a vida em ordem, a resposta de D-us nem sempre é sim. Precisamos nos conscientizar de que, seja sim, seja não, ELE continua sendo D-us e nós, continuamos sendo pó.
Observamos nos versos 22 a 24 que Aharon podia estar carregando culpa, talvez pelo episódio do bezerro de ouro. Ele não havia confessado o pecado, não havia assumido a culpa pelo pecado, sendo ele o cohen. Tratava-se, portanto, de um sentimento de pecado não confessado, como bem expressa David hamelech no salmo 32.1-11.
Capítulo 10
A partir da meditação
dos versos 1 a 7, entendemos que a Torah não relata com exatidão
a razão da atitude de Nadav e Aviyú, mas relata que D-us não
ordenara tal atitude.
Extraímos então algumas pérolas:
1) TUDO O QUE D-US FAZ TEM UM PROPÓSITO.
Aharon aceitou
o ato de justiça de D-us.
Coloque-se no lugar de Aharon e depois coloque-se no lugar de Eleazar e Itamar...
Como você reagiria? O que você sentiria?
A resposta é simples: eu e você procuraríamos a culpa nos
outros e em D-us.
Aharon de certa forma também desobedeceu. A Torah afirma que Moshe deu-se
por satisfeito com a explicação de Aharon, mas não afirma
que D-us aceitou suas explicações.
Somos especialistas em argumentar, mas quaisquer que sejam as razões
que nos levam a desobedecer, elas nunca estarão acima de um mandamento
de D-us. Nossas razões não anulam os mandamentos de D-us. Este
é um princípio.
Este princípio não se aplica apenas às mitsvot do serviço
no Templo, mas também às demais áreas da nossa vida com
D-us, seja na fidelidade da pregação da Palavra, seja na ordem
do serviço, seja nos dízimos e ofertas, seja na guarda do shabat,
seja no kasherut.
Desobediência é desobediência sempre e isso traz conseqüência
sempre.
Por esta razão, diferentemente do que fez Aharon no episódio do
bezerro de ouro, convido você a inverter esta ordem de busca do “culpado”:
procure a culpa primeiramente em você, depois nos de seu relacionamento
e nunca em D-us.
2) TRADIÇÃO PODE SER UMA PEDRA DE TROPEÇO.
Se entendemos que
tudo o que D-us faz tem um propósito, devemos ter cuidado para não
praticarmos mitsvot simplesmente por tradição ou estética,
porque isto seguramente não é o propósito.
Em nosso meio costumamos notar alguns indícios de tradição
sem entendimento e isto passa a ser uma pedra de tropeço. Podemos exemplificar
com a leitura das orações do Sidur. Ás vezes temos a tendência
de adicionar determinado sotaque às orações, ou formas
de movimento, etc. O Sidur é completamente reverente a D-us e às
vezes brincamos com ele. Para quem ainda não o fez, recomendo ler a tradução
das rezas ali contidas.
CUIDADO: TRADIÇÃO NÃO SE TRADUZ POR OBEDIÊNCIA.
Capítulo 11
Por alguma razão
o ETERNO inicia um “Tratado de Santificação” a partir
da Kashrut.
Detaque para os versos 44 a 47.
Kasher significa “apropriado”.
Há um propósito global na dietética kasher: “Pois
EU SOU o SENHOR que vos fez sair da terra do Egito para ser o vosso D-us: sereis
santos porque EU SOU Santo.”
O grande propósito deste sistema de leis kasherut é a santidade
(verso 47).
Por que?
1- Porque a Torah não é e nunca foi um mero cardápio de
tratamento médico.
2- Porque, além de ser reduzido a um mero cardápio dietético,
ainda seria totalmente descartável e obsoleto nos dia de hoje, considerando
as novas técnicas de abate de animais, criação em viveiros,
as técnicas modernas de higienização e conservação
de alimentos, inspeção do governo, etc.
CONCLUSÃO DA PARASHAH
Tudo o que D-us faz tem um propósito, que é santo, puro e louvável. E a nós, cabe obedecer ao máximo, para separar o santo do profano, separar o limpo do imundo, separar o que serve a D-us e o que não O serve e assim, testemunhar, pela obediência, àqueles que ainda não experimentaram a delícia de ser salvo pelo sacrifício de Yeshua HaMashiach.