Mesmo
os que não se sentem especialmente atraídos a participar
ou acompanhar esportes (grupo no qual me incluo), são contagiados
pela torcida alheia e pelo bombardeio de informações que
a mídia despeja em nossas televisões, rádios, jornais
e computadores. Assim, como judeus na Diáspora costumamos acompanhar
as competições esportivas do país em que estamos,
e em maior ou menor grau temos um certo envolvimento emocional com esses
eventos.
Ontem,
além das notícias sobre as competições que
envolvem o país em que vivemos, arregalamos nossos olhos e abrimos
nossos ouvidos para uma manchete inédita: “Primeira medalha
de ouro de Israel nas Olimpíadas”. Alguém poderia
perguntar: “E o que há de tão especial nisso? Todos
os dias vários países competem e ganham medalhas. E daí?”
A primeira medalha de ouro de Israel numa Olimpíada é
muito, muito significativa, e por várias razões.
Em
primeiro lugar causa um efeito instantâneo em todas as almas judias,
religiosas ou não, em todos os lugares ao mesmo tempo. Naquele
momento, juntamente com nossos irmãos em todo o planeta, inclusive
e principalmente em Israel, focalizamos nossa atenção
no hino que estava sendo executado e na bandeira que estava sendo hasteada,
e instantaneamente nos demos conta que não estávamos sozinhos
na frente da televisão, mas muito bem acompanhados pela cúmplice
alegria uns dos outros. Nesses minutos preciosos não foi a guerra,
a tragédia ou o anti-semitismo que nos uniu, mas a pura e simples
satisfação de ver um jovem atleta israelense subir ao
pódio para receber o ouro olímpico.
Em
segundo lugar, sabemos que a vitória israelense foi vista não
apenas por nossos amigos, mas também por nossos inimigos. Ainda
que os que nos odeiam considerem o Estado de Israel uma realidade “indigesta”,
até nossos inimigos mais ferrenhos sabem que é a mais
clara e absoluta realidade. Somos a prova viva incontestável
da existência de D-us e da veracidade das Escrituras. Existência
do D-us Único, que age, cria e sustenta, que traz à existência
o que não era nada. Veracidade das Escrituras que testificam
e profetizam sobre o D-us da História e sobre Seu povo, Israel.
Hoje, não é preciso tanta fé para reconhecer a
ação do nosso D-us, basta abrir os jornais e ver ali estampada
a realidade chamada Israel. Onde estávamos há sessenta
anos atrás e onde estamos hoje? Quem fez isso, senão o
Poderoso de Jacó?
E
em terceiro lugar, ao vermos o jovem Gal Fridman no pódio pensamos
em outros jovens de nosso povo, que deram suas vidas no sagrado e sangrento
serviço de Defesa Nacional. Vemos os fortes braços e pernas
desse grande atleta e pensamos nos que ficaram inválidos em combates
e ataques terroristas, que perderam seus membros e viverão o
resto de suas vidas paralíticos, cegos, surdos, sem braços,
sem pernas, em cadeiras de rodas, etc. Vemos a alegria da família
Fridman e pensamos nas mães que perderam seus filhos para sempre,
nas esposas viúvas e nos filhos órfãos de Israel.
E pior que tudo, quantas crianças vítimas de ataques terroristas
que nunca chegaram a ser “jovens”, mas que tiveram o cemitério
como destino precocemente imposto neste mundo.
Quantos
de nossos jovens gostariam de, ao invés do serviço militar,
passar suas tardes em ginásios onde a maior preocupação
seria não vencer uma competição esportiva. Quantos
prefeririam passar a juventude em universidades, shoppings, cinemas,
praias, ou simplesmente em qualquer lugar que não seja um campo
de batalha... Mas essa opção simplesmente não existe.
Somos judeus, e tão real quanto o Estado de Israel é o
ódio contra nós, demonstrado por ações e
omissões pessoais e coletivas no decurso dos séculos.
Nossa identidade nos deixa sem opção. A parasha desta
semana diz KI TETSE LE MILCHAMA (quando ou ao saíres à
guerra), não diz IM TETSE (se), mas KI TETSE (quando). Não
lutamos porque queremos, mas porque precisamos, e por isso queremos
a vitória. Com D-us Israel continuará lutando e vencendo,
nas fronteiras com os árabes e nas ruas de Gaza, nas vilas olímpicas
e nas yeshivot, no Technion e no Hadassa, e em todas as frentes de batalha
onde HASHEM nos colocar.
Parabéns,
Gal Fridman pela vitória na classe Mistral do torneio de vela!
Parabéns a cada judeu, que segundo sua força e capacidade
luta com os dons e os recursos que D-us lhe deu pelo bem de Israel,
em todos os lugares e em todas as épocas!
Em Yeshua,
chessed v’shalom,
Rabi Yehudah Ben Yaakov
SHEAR
YAAKOV
... e toda a terra saberá que há D-us em Israel.