SHEAR YAAKOV
Remanescente de Jacó
... e toda a terra saberá que há D-us em Israel.

Reflexões

Judaísmo Messiânico Judaico

A fé em Yeshua HaMashiach transforma um judeu em um judeu salvo, e muitos judeus assimilados ao crerem no Messias passam por um processo de desassimilação e restauração da Torah em suas vidas, trocando a antiga situação de assimilação por uma vida judaica rica e plena de significado como shomer Torah. Um judeu que assim vive, observando e praticando Torah à luz da revelação de Yeshua HaMashiach é chamado judeu messiânico, e sua religião é o judaísmo messiânico. Em outras palavras, o judaísmo messiânico é a opção de judaísmo dos judeus que crêem em Yeshua HaMashiach.

Isso, por si só, já causa incômodo na comunidade judaica não-messiânica, mas é algo administrável se entendermos que a rejeição do Messias por uma parte de Israel durante um determinado período é, até certo ponto, propósito de D-us, e cremos com fé plena que b’ezrat HASHEM essa tensão entre Israel e o Messias há de se resolver no futuro próximo.

Atualmente o judaísmo não-messiânico ainda associa Yeshua com a cristandade, que por sua vez (salvo raríssimas exceções) nunca soube aproximar o Messias de Israel do Povo de Israel, mas pelo contrário protagonizou na História atos horríveis e omissões indesculpáveis que fomentaram o repúdio do Povo Judeu ao Messias.

Nesse árido cenário nós, judeus crentes em Yeshua HaMashiach, procuramos explicar a nossos irmãos judeus, demonstrando-lhes com nossas próprias vidas, que Yeshua não é “outro deus”, que a cristandade não é seu representante fiel, que os judeus crentes se tornam mais shomer Torah (e não menos), e que através do Messias o D-us de nossos pais Avraham, Yitzchak e Yaakov se revela a nós hoje.

Nessa caminhada HASHEM tem nos ensinado, e nós temos aprendido, que a condição fundamental sine qua non do judaísmo messiânico é ter autenticidade. Acima das minúcias religiosas, a questão básica do judaísmo messiânico hoje é provar que ele realmente existe como tal, ou seja, como o judaísmo dos judeus que crêem em Yeshua HaMashiach.

Essa questão, que poderia ser resolvida de forma simples e direta, torna-se complexa e delicada. Mais do que a resistência por parte dos judeus não-messiânicos e a incompreensão por parte da cristandade, nossa maior preocupação hoje é a falsificação do judaísmo messiânico, que vem se tornando cada vez menos judaico.

Se na História muitos cristãos nos odiaram simplesmente por sermos judeus, hoje constatamos com alegria que muitos cristãos nos amam simplesmente por sermos judeus, e louvamos a D-us por isso. Atualmente podemos contar com boas igrejas evangélicas onde verdadeiros irmãos no Messias compreendem o judaísmo messiânico, oram por nós e apóiam o Estado de Israel, inclusive reconhecendo o direito bíblico do Povo Judeu sobre a Terra Prometida.

O problema surge quando cristãos insatisfeitos com o cristianismo passam a enxergar o judaísmo messiânico como uma atraente alternativa religiosa para gentios, e geralmente liderados por outros gentios enganosamente passam a chamar-se a si mesmos de “judeus”. Alguns passam a reivindicar sua pertinência a Israel alegando ascendências “quintocentenárias” duvidosas e sem comprovação, outros vão ainda mais longe no tempo e se intitulam herdeiros das dez tribos. Trata-se judaísmo como um objeto de consumo, de forma leviana, subjetiva e irresponsável.

Como vivemos num país onde há liberdade religiosa como direito constitucional, e isso é muito bom, qualquer um pode comprar um talit e uma kipah e na frente de um espelho passar a se chamar judeu, marrano, messiânico, hebreu, efraimita, nazareno, ou o que ele quiser. E se além do espelho houver mais uma dúzia de pessoas que concordam, pronto, já temos mais uma “congregação messiânica”. Sempre é bom lembrar que além da liberdade religiosa a Constituição também fala sobre falsidade ideológica.

Gentios sempre foram bem aceitos no judaísmo, tanto os que querem viver no meio do Povo Judeu aceitando nossas leis e tradições sem se tornarem judeus, quanto os que desejam efetivamente ser judeus passando pelo processo formal de conversão. O que não se aceita é um judaísmo messiânico plasmado à imagem e semelhança dos anseios de cristãos que não conseguem ser simplesmente cristãos, e que ao invés de ajudar os judeus querem se servir do judaísmo para apascentarem-se a si mesmos e satisfazer suas próprias ambições ministeriais como e quando lhes convém. Seria essa infiltração a versão atual do trabalho milenar que maus cristãos protagonizaram na História, interpondo-se entre Israel e seu Messias?

Apenas pergunto a título de reflexão, se isso é legítimo, e se ajunta ou espalha no apascentamento das verdadeiras ovelhas da Casa de Israel. Admitir a diversidade de tendências dentro do judaísmo messiânico é nobre e saudável, mas aceitar um judaísmo messiânico sem alma judaica e sem judeus é autodestrutivo.

Nossa redundância “Judaísmo Messiânico Judaico” significa que somos judeus, cremos no Messias judeu, Yeshua HaMashiach, como nosso Messias, nossa Sinagoga é liderada por judeus e voltada para judeus, somos shomer Torah, nosso estilo de vida é judaico, guardamos shabat, comemos kasher, circuncidamos nossos filhos, e vivemos para que nossos filhos e os filhos de nossos filhos, b’ezrat HASHEM, sejam judeus e vivam como judeus. Judaísmo Messiânico Judaico também significa que os gentios são respeitados e valorizados como gentios, e assim todos trabalhamos juntos para o bem de Israel e da Humanidade.

Esperamos que algum dia “Judaísmo Messiânico Judaico” seja realmente uma redundância desnecessária, pois todo o Judaísmo Messiânico será verdadeiramente Judaico. E cremos, b’emunah shlemah, que haverá um dia em que também não precisaremos usar a expressão “Judaísmo Messiânico”, pois naquele dia, kakatuv b’Torato, quando todo Israel crer e for redimido, todo o Judaísmo será Messiânico.

Em Yeshua,
chessed v’shalom,
Rabi Yehudah Ben Yaakov

SHEAR YAAKOV
... e toda a terra saberá que há D-us em Israel.


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