ESCRITOS
27 Tishre 5759 / 16 Outubro 1998
Parashá BERESHIT - "No princípio" Gn 1:1-6:8
“ O que desvia os seus ouvidos de ouvir a Torah, até a sua oração será abominável.” Pv 28:9
Nesta semana começamos um novo ciclo de leitura e estudo da Torah. A primeira Parashá (Bereshit) relata a criação - da luz, dos céus, da terra, dos mares, das plantas, das árvores, do sol, da lua, das estrelas, dos seres das águas, dos seres vivos da terra, do homem e do shabat.
Na primeira referência ao shabat que encontramos na Torah está escrito que nesse dia D-US descansou de toda obra que havia feito. Será que o Todo-Poderoso, o Guarda de Israel, Aquele que não dormita nem dorme, ficou cansado por ter criado toda a obra que como Criador fizera? De modo algum! Mas então o que significa o “descanso” de D-US? A Torah nos ensina que nesse dia D-US nada criou. No shabat Ele se absteve de criar algo que antes não existia. A interpretação do referido “descanso” de D-US nos ajuda a tentar compreender - e vivenciar - o mistério do descanso sabático que o ETERNO nos propõe na aliança do Sinai: “Lembra-te do iom ha shabat para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a sua obra, mas o sétimo dia é o shabat do Senhor teu D-US; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o iom ha shabat, e o santificou.” (Ex 20:8-11). O profeta Yeshayahu escreveu: “Se desviares o teu pé de profanar o shabat, e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia, mas se me chamares ao shabat deleitoso e santo o dia do Senhor, digno de honra e o honrares, não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Yaakov, porque a boca do Senhor o disse.” (Is 58:13-14)
Nesta Parashá encontramos o registro da primeira mitzvah que D-US deu ao homem antes mesmo da criação da mulher. A Torah nos revela a natureza da mitzvah, a ação satânica para tentar destruí-la e induzir o homem à desobediência, e a reação do homem. “E lhe deu esta ordem” (2:16). Não é simplesmente um conselho ou uma recomendação - é uma ordem. “De toda a árvore do jardim comerás” (2:16). Antes mesmo de determinar a restrição - de qual árvore não se poderia comer - D-US expõe o princípio de liberdade da Torah: exceto uma única árvore o homem poderia comer de todas as outras em total liberdade. É exatamente por aí que satan começa, “É assim que D-US disse” (#:1) - tentando distorcer a natureza da ordenança: D-US não apenas “disse”, mas ordenou. Depois, ao ampliar a ordenança de não comer somente de uma árvore (2:17) para “não comerás de toda árvore do jardim” (3:1), tentou fazer a mitzvah que era para vida e proteção do homem parecer demasiado restritiva, como algo que estaria comprometendo sua liberdade, como se fosse um fardo. Finalmente, na tentativa de neutralizar totalmente a palavra do Eterno e induzir ao pecado, satan nega a sanção decorrente da desobediência e diz: “ É certo que não morrerás” (3:4), sendo que D-US havia dito: “ no dia em que dela comeres certamente morrerás” (2:17). Estas são algumas das estratégias que satan usa para tentar neutralizar a Tora: descaracterizar as ordenanças como tal; ocultar sua função protetora para o homem; exagerar seu aspecto restritivo, distorcendo-a a ponto de parecer um fardo; negar as conseqüências da sua desobediência.
Seu objetivo final, ou seja, fazer o homem perder a comunhão com D-US foi alcançado quando a mulher e o homem comeram do fruto, desobedecendo o comando de D-US e evidenciando através de um ato a rebeldia contra o Criador. Imediatamente após o pecado vieram as conseqüências da perda de comunhão com D-US: vergonha, medo, culpa, sofrimento, dor, maldição, fadiga, expulsão do jardim do Éden e morte. Mas grande é a misericórdia do Eterno, e Ele prometeu que o descendente da mulher - Yeshua Ha Mashiach - esmagaria a cabeça da serpente - satan, e num ato profético trocou a cinta de folhas de figueira que eles fizeram por vestimentas de pele, que Ele mesmo fez.
A Parashá prossegue contando como Caim, o primogênito de Adam e Eva, ficou irado quando D-US não se agradou dele e da sua oferta do fruto da terra, mas se agradou do seu irmão Abel e da sua oferta das primícias do rebanho. Apesar da advertência de D-US (4:7) Caim matou Abel.
Nos 930 anos da sua vida, Adam teve filhos e filhas, e morreu. Adam(1) gerou a Sete(2), que gerou a Enos(3), e daí se começou a invocar O nome do Eterno. Enos gerou a Cainan(4), que gerou a Maaleleel(5), que gerou a Jerede(6), que gerou a Enoque(7), que ao contrário dos seus antepassados não morreu, mas andou com D-US e Ele o tomou para si. Enoque gerou a Matusalém(8), que gerou a Lameque(9), que gerou a Noach(10), que achou graça diante do Eterno.
“E abençoou D-US o iom ha shabat e o santificou; porque ele descansou de toda a obra que como Criador fizera.” Gn 2:3
SHABAT SHALOM
RYBY
Sinagoga SHEAR YAAKOV - Remanescente de Jacó